INCLUSIVISMO, CAPACITISMO e outros “ISMOS”





Nas redes e demais meios de comunicação, tenho acompanhado muitos comentários à respeito das colocações no mínimo “polêmicas” de nosso Ministro da Educação, Sr Milton Ribeiro, teólogo, advogado, professor, mestre em Direito Constitucional, Doutor em Educação e Ex-Reitor de uma universidade referência nas pesquisas e tratamento de crianças com necessidades especiais. Resolvi rever a entrevista, reler a Política Nacional de Educação Especial 2020 (suspensa, à princípio), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 1996, a Constituição Federal de 1988 a fim de entender e tirar conclusões acerca do fato.

Em tal entrevista (https://www.youtube.com/watch?v=6JyH4faRwpY) o então Ministro Milton Ribeiro afirma que:

1. A inclusão é um problema a ser enfrentado

2. PNEE rejeitada por um grupo, mais por questões ideológicas do que técnicas, levada à análise do Supremo Tribunal Federal por ser excludente

3. O Ministro afirma que é cercado de pessoas que vivem o “problema” com seus filhos sobre as questões práticas sobre a inclusão

4. Tem uma diretora que é muito capacitada e que é surda


Na construção de seu raciocínio, o Ministro menciona o passado onde não se falava em atenção ao deficiente. Em outro extremo, como se “virasse uma chave”, partiu-se para o que ele denomina “inclusivismo” – as palavras do Ministro foram descritas na íntegra para não incorrer no risco de tirar alguma do contexto: “a criança com deficiência era COLOCADA dentro duma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia, ela ATRAPALHAVA (entre aspas, essa palavra falo com muito cuidado) o aprendizado dos outros. Por que a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela atenção especial” (sic).

Diante do problema da inclusão, como adjetivado pelo Sr Ministro, a solução foi montar salas de recursos e dar “poderes” aos pais em realizar a matrícula em escolas especializadas, salas monitoradas e almofadadas para receber os autistas que se jogam nas paredes, por exemplo.

Inclusivismo e capacitismo são palavras que não existem no dicionário formal da língua portuguesa mas estão sendo utilizadas para definir situações relacionadas à pessoas com deficiências. Inclusivismo é um termo utilizado amplamente nos estudos de teologia que significa a presença de Deus nas religiões não Cristãs. Capacitismo, por sua vez, sugere um afastamento da capacidade e da aptidão dos seres humanos, em virtude da sua condição de deficiência. Seguindo a onda dos neologismos, inclusivismo e capacitismo não seriam um DESCULPISMO para evitar resolver a questão da inclusão de forma humanizada e efetiva?

Eu vivencio a inclusão escolar na prática através de duas frentes: por ter um filho com deficiência intelectual em idade escolar (hoje no ensino médio) e pela opção profissional de criar um instituto (www.institutoapta.com.br) que capacita e supervisiona o trabalho dos professores especialistas (mediadores escolares) além de oferecer suporte necessário às famílias e instituições de ensino no processo de inclusão – ao longo de 6 anos são mais de 80 alunos atendidos. Sem coitadismo, com muito respeito à individualidade e com foco nas potencialidades desses alunos. Estamos desbravando caminhos nunca antes percorridos e nosso dever é fazê-lo com qualidade para o benefício dessa e das gerações futuras.


Diante dessas colocações, convido você a refletir sobre as seguintes questões:

1. A inclusão deve ser encarada como um problema?

2. O “poder de escolha” que a PNEE 2020 oferece aos pais pode representar uma ameaça aos direitos já adquiridos pelos alunos com necessidades especiais em frequentar as escolas regulares?

3. A falta de capacitação dos profissionais da educação para atuar com o público de inclusão é uma forma de desculpismo para afastar da escola regular os alunos com necessidades especiais/deficiências?


Por fim, minha pergunta vai para as autoridades do Ministério da Educação: continuar jogando as crianças com deficiência em depósitos (como era chamado o abismo na Grécia antiga) ou a inclusão a qualquer custo? Ao meu ver, a polarização não é benéfica para ninguém. Encontrar o ponto de equilíbrio, respeitar as características individuais de cada aluno de inclusão, suas necessidades, limitações e potencialidades pode ser o caminho mais seguro para resolver a questão. Nosso dever é criar pontes para que esses alunos possam atravessar o abismo e percorrer uma estrada repleta de possibilidades. Sem obscurantismo.





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