Em busca do diagnóstico

A incerteza, por mais benéfica em muitos casos, dispara em mim um estado de alerta e sobressalto. A descrição de como isso me afeta intimamente pode ser comparada ao relatado pelo filósofo Cícero em sua lenda sobre a espada de Dâmocles: sentado num trono, com uma espada suspensa na direção de sua cabeça, segura apenas pelo fio da crina de um cavalo, Dâmocles tomou o lugar de Dionísio em um de seus banquetes e sentiu então o peso da pressão da posição de um decisor. A dúvida sobre o diagnóstico era minha “espada de Dâmocles”. Acordava todos os dias com a espada apontada para minha cabeça. Não sabia o que seria dali para frente. Mas posso dizer que o aprendizado durante esses dez longos anos de busca pelo diagnóstico de meu filho são lições que levei para a vida e quero compartilhar com vocês:


- Aprenda a duvidar dos médicos. Embora estejam na condição de "semi-deuses" (muitos se consideram sim, principalmente os neuro-especialistas) pelo conhecimento que possuem da anatomia humana, são pessoas passíveis de erros e equívocos.


- Não aceite rótulos e determinismos. Ninguém deve limitar a capacidade do ser humano.


- Busque respostas, confronte opiniões e tenha como parâmetro as vivências com seu filho. Você o conhece desde antes do nascimento.


- Busque profissionais que entendam seus anseios, que “comprem” sua causa. A vontade move o ser humano e somos muito melhores quando agimos movidos por ela.


Finalmente, a espada da dúvida que me assombrou por tantos anos, foi retirada de minha cabeça. Joguei ela fora? Não. Empunhei essa mesma espada e a usei nas lutas pedagógicas durante a vida escolar de meu filho. E posso dizer que ela foi um aliado e tanto. Numa guerra de canudos, quem tem espada é Rei.


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